sexta-feira, 16 de julho de 2010

cap. XII - o fim de tudo, ou não

- Namorado, pai.
- Quantos anos você tem?
- 14. - disse, tímido.
- Filha! - gritou. - Você tem 16 anos, como você quer namorar um menino de 14?
- Mas pai...
- Não tem mas, é claro que não vou permitir isso. - disse, sentando-se e voltando a trabalhar.
- Desculpa, mas seu pai tem toda a razão. - disse minha mãe.
Olhei para os dois, desapontada. Meu pai foi sempre tão legal comigo, tão compreensivo.
- Pai, eu amo ele, e não importa o que vocês digam, eu vou continuar namorando com ele, quer vocês queiram ou não.
- Ah é? Então você está de castigo. - disse minha mãe, furiosa.
Eu já imaginava isso dela, ela sempre foi chata comigo, nunca teve tempo para ouvir, nunca quis. Saí nervosa, quase arrastando o Gabriel. Desci com ele e fomos até uma praça que tinha lá por perto.
- Amor... A gente vai continuar namorando, tá? Não importa o que eles tentem fazer ou dizer, eu vou sempre estar contigo. Eu te amo.
Nos abraçamos e ficamos a tarde inteira conversando, abraçadinhos. Já que eu estaria de castigo chegando em casa, não me preocupei em voltar cedo. Ficamos pensando em como seguiríamos, depois disso.
- Já tá ficando tarde, gatinha.
- Eu não ligo, por mim ficaria até amanhã abraçada a você aqui.
- Mas eu to com fome.
- Eu trouxe dinheiro.
- Mas eu não, e não quero gastar o seu.
- Ah, para de ser besta vai. Vamos em alguma lanchonete ai, ouvi dizer que fazem comidas gostosas aqui.
Fomos em uma lá com um nome estranho, difícil de decorar. A comida era realmente muito boa. Comemos e fomos embora, ainda sobraram vinte reais (nós só gastamos dez).
- Vamos dormir fora? - dei a idéia.
- Onde? Com 30 reais acho que não dá pra fazer muita coisa.
- Não sei, vamos arranjar algum matinho por aí. Eu não quero voltar pra casa, não agora.
- Matinho? - riu alto.
- Ah, neném, para de rir, eu to falando sério.
Encontramos um banquinho na praça. Preferi ficar sentada, e ele deitou sua cabeça no meu colo. Enquanto conversávamos, acariciava seu cabelo. Ele era macio e brilhoso, Gabriel devia cuidar de seu cabelo.
- Amor... - olhou-me.
Olhei para sua linda face. - Oi?
- Vamos fugir? Pra bem longe daqui. A gente pode construir uma casinha simples, eu conheço uma área perto daqui, quase ninguém passa por lá, é um lugar bom para se construir uma casa.
Achei que ele estava ficando louco no começo, mas ele estava falando sério. Até que não seria uma má idéia, eu poderia ir escondida em casa pegar mais dinheiro, roupas e mais algumas coisas e fugir com ele.
- Você tá falando sério mesmo?
- Sim! Nunca falei tão sério.
- Então... Já que já são onze horas, daqui a pouco a gente volta pro meu quarto, pra eu pegar mais dinheiro e algumas bugigangas, e depois a gente vai, ok?
- Ok. - nos beijamos.
Subimos em silêncio, abrimos a porta. Fábio estava dormindo, mas ele tinha um sono bem pesado, só um elefante acordaria ele. Peguei dinheiro, algumas roupas, meu precioso notebook, é claro e mais algumas coisas.
- Pronto, vamos. - sussurrei.
Chegamos no local que ele falou, só tinha mato e algumas árvores. Seguimos andando, até acharmos um lugar bem escondido de tudo, com bastante árvores em volta.
- Bom, eu trouxe 120 reais, com os 30 que eu tinha antes ficaram 150. Dá pra gente se sustentar por um tempo. E a gente pode trabalhar em algum lugar também, né.
- Ah, tá ótimo. E... Como fica perto de casa aqui eu vou lá pegar mais dinheiro, e algumas "bugigangas" também. - sorriu.
- Tá. Quer que eu vá junto? Acho melhor não, porque o Pedro pode acordar e me ver, não seria bom ir na sua casa numa situação dessas.
- É, é melhor mesmo. Eu vou ser rápido, vou tentar fazer o mínimo de barulho, mas provavelmente meus pais saíram, eles não se preocupam comigo mesmo, só ligam pro Pedro, porque ele trabalha.
- É... Meus pais não ligam pra mim, eu não trabalho, não faço nada pra ajudar eles.
- Vou lá, gatinha. Eu já volto, não sai daqui, alguém pode te ver e descobrir nossa "casa". - riu.
- Ok. Vou mexer um pouco no notebook.
- Tá.
Vi-o partindo. Estava escuro, só podia ouvir barulho de grilo fazendo "cri cri cri", aquele lugar me amedontrava de noite, como em filme de terror. Liguei o notebook, e entrei no msn, Rafaela estava online.
Raafaela. diz: andou sumiida bést....como tah a viajeem? oadskaspodksdpo
Nanda Torres. diz: ah, tem muuuuita coisa pra contar, depois eu explico tudo direitinho.
Percebi que o Pedro também tava online, mas seu status tava como Ausente, ele devia estar dormindo.
40 minutos depois, Gabriel voltou.
- Demorou, neném.
- Desculpa, tava decidindo o que traria e o que não traria. Trouxe 150 reais também, só pra não dizer que sou pobre.
- Eu trouxe um cobertor e uma fronha, ocuparam quase todo o espaço da minha mala. São de solteiro, mas acho que cabe nós dois, só até a gente construir uma barraquinha.
- É, mas não hoje porque a gente tá cansado.
- Ah é, o Pedro tava online no msn, ele tava acordado quando você chegou na sua casa?
- Não... Ele deixa o msn ligado quando tá dormindo mesmo.
- Ah tá.
Arrumamos a fronha e o cobertor e deitamos, coubemos certinho no espaço. Dormimos abraçados, pois estava bastante frio. Acordei com a minha face bem perto da dele e aproveitei para beijá-lo.
- Bom dia, meu neném.
- Bom dia, gatinha.
- Vamos começar a construir nossa... "casa"? - ri.
- Bora!
Levantamos e fomos procurar madeira e folhas para construir, bem como em filme americano mesmo. Juntamos uma grande quantidade de madeira e folhas, acho que daria.
- Eu trouxe um martelo e alguns pregos, achei que seria útil pra construção. Você sabe martelar sem estourar nenhum dedo, né?
- Hahaha, engraçadinho. Eu sei, não parece mas eu já construí uma casa na árvore quando era menor.
- Uau, hein. Já dá pra virar pedreira. - riu alto. - Brinks.
Levamos quase o dia inteiro pra construir. Até que ficou "morável" nossa "casa". Colocamos nossas coisas dentro, era apertadinha mas dava pra viver por um tempo nela.
- To com fome... Vamos comprar coisas para comer?
- Tá.
Fomos ao supermercado mais próximo. Compramos pão, mortadela e refrigerante. Até arranjarmos um emprego deveríamos economizar o máximo possível nosso dinheiro. Voltamos para "casa", colocamos um pano no chão e as coisas em cima, fiz um lanche, peguei um pouco de refrigerante e comi. Tinha um lago perto dali. Peguei meu sabonete e fui até lá. Deixei minhas roupas em um galho quebrado que tinha lá e pulei no lago. A água estava gelada, então tomei um banho rápido. Saí e lembrei que havia esquecido de trazer uma toalha.
- NENÉÉÉÉÉÉM! - gritei.
Veio correndo, achando que havia acontecido alguma coisa. - Oi? Aconteceu algo?
- Você tem uma toalha ou algo que eu possa usar pra secar o corpo ai?
- Não... Eu esqueci também. Fica sambando aí que seca. - riu e ficou me observando.
Comecei a fazer movimentos doidos e, depois de um tempo, estava seca. Coloquei minha roupa, uma camisola bem curta, pois eu tinha ela faz tempo. Pelo menos não esqueci de trazer um pente. Peguei na minha mala e pedi pro Gabriel pentear meu cabelo, enquanto eu colocava o resto da minha roupa. Como já éramos íntimos, nem liguei em ficar nua na frente dele.
- É, a partir de agora, vai ser assim a nossa vida. - beijei-o.
Entramos em "casa" e nos deitamos na fronha. Senti-o descendo sua boca delicadamente pelo meu corpo, enquanto nos despíamos.
The End.

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